Escritos - página anexa destinada a postagem de obras autorais

29 de abr de 2017

Baed - Capítulo 5

NÁPOLES, 10 DE AGOSTO DE 2047, 7H23
James dobra-se na cama, se contorcendo de dor.
Observo a cena com o cenho franzido, sustentando um copo de água e um comprimido para a dor, ao seu lado.

“Tem certeza de que não é nada?”
– Pergunto, receosa.

Ele responde balançando a cabeça, enquanto bebe a água em grandes goles.
Os raios de luz da manhã iluminam parte de seu rosto, fazendo seu cabelo claro brilhar como fios de ouro. Seus cílios também se destacam, agora tão claros quanto seu cabelo.
Ele respira fundo, apoiando as costas na cabeceira. Depois de quase um minuto em silêncio, com os olhos fechados, James ergue a cabeça e olha para mim.

“Eu tenho que sair hoje.” – Murmura.

“Desse jeito?”

“Liza convocou reunião.”

Faz algumas semanas desde que Liza decidiu assumir a chefia.
Desde então, James esteve preocupado com ela, mais do que de costume; tudo aquilo sobre o sequestro da Jennifer, o reaparecimento do Alex e o que César fará em seguida está deixando Liza com os nervos a flor da pele, e esse estado acaba por ser compartilhado por todos os membros próximos a ela, especialmente James.
Eles são amigos, acima de tudo.
James conheceu Liza num tempo remoto, quando Rachael Vaccari ainda era viva; ele viu como nossa atual líder reage em situações de estresse. E por maior que seja sua cautela em admitir, ele tem medo de como ela vai lidar com tudo o que está acontecendo pelos próximos meses.
Então, seu plano é estar o mais próximo possível dela e de seus movimentos.

“Se você falar que não está bem, ela vai entender sua ausência.”
 – Insisto, apesar de saber que seus motivos vão além de ‘obedecer a chefe’.

“Não é tão simples.”
– Murmura.
“A reunião é sobre a Tunísia. Os Vaccari conseguiram um controle absoluto sobre uma área importante, e César está fazendo de tudo para tomá-la. Ele não está atacando a Liza somente sob um ponto de vista familiar. Ele está atacando os negócios, minando sua força. Isso é sobre os Hansson também. Eu preciso estar lá.”

“É a primeira vez em que você sente essas dores?”

“Sim.” – Ele responde de uma forma pouco convincente. – “Não é nada, Sidney.”

“Eu me preocupo com você.”

“Eu sei.” – Ele murmura, doce. – “E obrigado. Mas é sério, eu preciso ir.”

Lanço um olhar sobre o relógio.
Eu também tenho compromissos a honrar.

“Você ainda tem 20 minutos.”
– Digo, me levantando da cama.
“Repouse esse tempo e depois vá. Qualquer coisa, meu celular estará ligado.”

Sua fraca, mas sincera expressão de agradecimento é a última coisa que ouço antes de fechar a porta.