Escritos - página anexa destinada a postagem de obras autorais

12 de nov de 2016

Sentença (fúria season 3) - Capítulo 63

DIANA
“Agente Diogo Fellini, é um prazer, detetive.”
 – Um homem tipicamente italiano me diz, dentro da casa. Nós estamos sozinhos.
“Eu faço parte de uma equipe da Interpol feita para escoltar a senhorita em segurança e sigilo até Bogotá, na Colômbia.”

“Por que?”

“A Agente Saxe passou a informação a um de nossos agentes sobre a localização de Noah Shrader.”
  – Responde.
“Nós acionamos o protocolo azul, um tipo de protocolo usado para fazer transferências fantasma. Eu devo deixá-la ciente de que essa é uma viagem extremamente confidencial, e por via das dúvidas, essa conversa jamais existiu.”

Ele aguarda por algum sinal de concordância da minha parte, e eu movo a cabeça em afirmação.
Essa é uma casa minúscula, menor do que se faz parecer externamente, e a luz é fraca.
O silêncio é tamanho que posso ouvir minha respiração.



“Quando essa conversa terminar, a senhorita será escoltada até um carro que te levará para uma pista de pouso.” – Diz. – “No carro, será escoltada por outro agente, e no avião, por outro. Eu não entrarei mais em contato, e não sei informar para onde será levada depois que chegar em Bogotá. Minhas informações sobre o transporte são limitadas, o que significa que a senhorita será orientada por outro agente quando estiver lá. De qualquer forma, siga o protocolo e obedeça a todas as orientações dos agentes. É extremamente importante que a detetive não faça nada além do ordenado até que a transferência esteja completa.”

“E quando vou saber que a transferência está completa?”

“Quando a senhorita se encontrar com a Agente Saxe.”

Nós saímos da casa juntos, e ele me guia rapidamente numa distância de quase 1km até um estacionamento.
A sensação é de que toda a viagem será feita às pressas, como se estivéssemos correndo contra o tempo.
Bogotá.
Por mais que se trate de uma questão de segurança, eu me sinto incomodada pela escassez de informações.

No fundo do extenso estacionamento, três carros idênticos se enfileiram.
O agente que me escolta abre a porta do carro para mim e diz...

“Me entregue qualquer arma, celular ou aparelho eletrônico que esteja portando.”
  – Ele diz. Olho para o interior do SUV; há outro agente no banco do motorista.
“A partir daqui, a senhorita não pode entrar em contato com ninguém além do autorizado.”

Puxo a pistola do coldre, o celular do bolso da calça e entrego em suas mãos.
Ele faz um sinal de aprovação com a cabeça e eu entro no carro blindado.
Os outros dois automóveis restantes dão a partida ao mesmo tempo, partindo para fora do estacionamento simultaneamente. Observo pela janela a movimentação, e em determinado ponto da estrada, todos os três seguem rotas opostas.
Não me sai da cabeça a sensação de que qualquer que estivesse seguindo meus passos foi despistado, e eu me tornei anônima.
Eu me tornei invisível.

MADALINA
Eu acordo com feixes de luz solar sobre o meu rosto.
Esse é o quarto pequeno do segundo andar de um hotel simples no qual fui deixada por Burkov. Há apenas uma janela de tamanho médio que fornece ventilação, com uma cortina que minimiza a intensidade da luz solar.
Uma cama de solteiro, um criado-mudo e uma cômoda.
A diferença entre este quarto e o quarto que dormi dias atrás é tão discrepante que chega a ser assustador.

Minha bolsa – com a maleta protegida a senha – está pousada em cima da cômoda, e quando movo meu corpo, sinto um pedaço de papel embaixo de mim.
Puxo o carnê, lendo seu conteúdo.
É uma passagem aérea.
Meu passaporte está em cima do criado-mudo.
O celular vibra em meu bolso.

“Por que quer que eu vá para o Peru num voo comercial?”
  – É o que eu digo logo quando atendo a chamada.

“Bom dia, Agente Saxe.”
 – A voz de Mogherini soa, tranquilamente.
“Vejo que acordou muito bem disposta.”

“Responda a minha pergunta.”

“Bom, tive que fazer algumas ligações depois do seu pedido de ajuda.” – Ele começa. – “Uma delas foi para o secretário de Defesa.”

“E?”

“E oficialmente, sua visita ao Pentágono acaba aqui por razões de força maior.” – Responde. – “Oficialmente, a Interpol exigiu a Agente Saxe numa ação de emergência no Peru, que está relacionado aos Vaccari. Ela terá que ir como uma simples civil e investigar operações de narcotráfico envolvendo antigas alianças entre Anthony Vaccari e traficantes internacionais da região. Obviamente você será monitorada pelo FBI, mas eu tenho um bom álibi.”

“E por quanto tempo vou ter que ficar lá?” – Pergunto, ignorando sua referência a mim em terceira pessoa.

“Até que eu te ligue de volta e diga que tudo está bem.”
  – Murmura.
“Boa sorte, agente. Não perca o voo.”

A linha é desligada em seguida.
Olho para o relógio. 8h25.
O embarque acontece daqui a meia hora.