Escritos - página anexa destinada a postagem de obras autorais

12 de nov de 2015

Sentença (3ª temp de fuŕia) - Capítulo 10


WILL
A boate está abarrotada de pessoas, tornando difícil o meu acesso aos fundos. Olho para o relógio.
23:45.
Diana já deve estar no andar de cima, aguardando pelas próximas instruções.
Depois da visita de Miranda e da minha relativa reconciliação com a Liza, tivemos que receber Arthur Mogherini, o agente-chefe da Interpol, que, é claro, traçou uma rota pela qual nós devemos seguir, rota essa que vai jogar Diana direto para a mansão de César Vaccari.

A última governanta de sua mansão na Grécia foi demitida, por razões desconhecidas, o que significa que ele está a procura de uma nova; com novos documentos, novo nome e nova história, Mogherini garante que conseguirá com que Diana seja contratada, porém, ela não vai poder usar escuta, o que dificulta o trabalho.
Me embrenho no meio da multidão e a iluminação parcial em tons de vermelho torna difícil a identificação dos rostos. Quando me aproximo do balcão, a garçonete lança uma piscadela para mim e abre caminho para que eu entre. Empurro as cortinas de miçanga e subo os quatro degraus até a porta.

Você está atrasado.” - A voz de Diana soa assim que entro no cômodo.

Aqui estão suas coisas.” - Digo, jogando a mochila preta em cima da cama. - “Roupas, documentos, passaporte, dinheiro...”

Não vou estar armada?” - Ela pergunta.

Você vai viajar num avião comum, voo doméstico, como um ser humano normal.” - Explico. - “Vai ter uma pistola no apartamento alugado envolta num plástico, escondida na descarga. Só pro caso de uma emergência.”

Minha nova identidade?”

Maria Belagamba. 24 anos. Formada em Gastronomia. Mora em Milão com sua mãe Isabela e sua irmã, Catarina. Já morou na França e na Bélgica. Sabe falar francês, não sabe?”

Sei.” - Diz.

Ótimo.” - Solto. - “Bom, você vai ter essa noite inteira para ver seus documentos e estudar o disfarce. O voo é amanhã, às 9h.”

Devo fazer algo no cabelo?” - Pergunta. Analiso seu rosto.

Só dê uma ajeitada.”
- Digo.
E use umas roupas caras. Você precisa parecer fina e organizada.”

JAMES
O helicóptero pousa a cerca de 32 km de La Paz, no deserto mexicano.
Luigi é o primeiro a descer e estende a mão para Sidney, que sai em seguida; o vento proveniente do movimento das turbinas cria um redemoinho de areia que dificulta a visão, e nós puxamos nossos casacos para perto da boca.
Nós pegamos dois fuzis, cada um, e corremos em silêncio no meio do quase nada; a alguns metros, uma elevação se ergue, como um bunker, e nós descemos a rampa que leva até a porta de ferro maciço.
Esse bunker é um dos vários pertencentes aos Vaccari que Beth construiu há algum tempo atrás. Eles funcionam como uma espécie de cofre gigante, onde coisas muito importantes – e perigosas – são guardadas. Existem outros três iguais a esse, espalhados por países da África e Ásia.
O leitor acoplado à porta pisca com uma luz vermelha.
Encosto o polegar na placa metálica. A luz vermelha muda para verde e um barulho denuncia que as portas estão se abrindo.
Observo a imensa e pesada porta mover-se para a esquerda.

As lâmpadas translúcidas no teto se acendem automaticamente, revelando um verdadeiro arsenal organizado em fileiras; armas de vários tipos, explosivos e balas de bazuca. Posso ouvir a abafada exclamação de Luigi atrás de mim.

Então, guardem isso nos compartimentos que estão no fundo do bunker.” - Digo. - “Vamos sair alternadamente, por precaução.”

Não demora mais que vinte minutos para que tudo esteja guardado.
Os quatro helicópteros restantes, responsáveis pelo transporte dos outros, já devem ter retornado a Nápoles e os que estavam neles, já devem ter voltado aos seus postos.

Acha que vai rolar uma revanche?” - Luigi pergunta assim que Sidney mantém uma certa distância. - “Você sabe, é o César e...”

Sim, pode haver uma revanche.”
- Afirmo.
Eu estou esperando por isso. Foi o que me levou a trazer as armas para cá, para ter certeza de que elas estarão fora do alcance dele.”

Acha que ele pode descontar na Liza?”

Sua pergunta me deixa em silêncio por alguns instantes.
Esse é o principal risco.
Há sempre a possibilidade de que ele desconte todos os nossos passos na Liza, e a explosão de sua mansão, junto com o roubo de uma mercadoria cara como essa não vai deixá-lo nada feliz.
Solto uma longa expiração.

Eu não sei.” - Digo. - “Pode ser. Mas se eu me agarrar nisso, não vou conseguir fazer mais nada.”

O celular vibra no meu bolso, interrompendo a conversa.
Nós nos entreolhamos por um segundo e eu me levanto, caminho em direção à saída do bunker.
Assim que a voz soa do outro lado da linha, uma voz familiar, feminina e um tanto rouca, eu sei exatamente o que vem em seguida.

Sidney.”
- Chamo, sem esconder minha apreensão. Ela percebe isso e ergue uma sobrancelha em resposta.
Ligação pra você.”