Escritos - página anexa destinada a postagem de obras autorais

25 de set de 2015

Sentença (fúria 3ª temp) - Prólogo II

Catanzaro, Itália, 3 anos antes do momento atual

Eu observo, de soslaio, a silhueta de Beth mover-se pela sala. Ela me atendeu radiante, até esperançosa, quando apareci na porta de seu apartamento pela manhã. É até compreensível, visto que é muito difícil eu acatar seus chamados de primeira. Só espero que ela não pense que eu queira voltar.

“Foi uma conquista… De fato, uma conquista.” - Ela repete, contente consigo mesma. - “Claro que boa parte disso se deve a Rachael, que matou toda a elite Hansson, mas eu tive que finalizar o trabalho.”


“O que você fez?”

“Coloquei um aliado nosso na chefia Hansson.” - Diz. - “O que significa que não vou ter que me preocupar com mais alguém indo atrás de você, além daquele cretino do César.”

A menção de Rachael ainda me causa desconforto.
Costumava me causar muita dor, uma dor quase insuportável, mas o tempo diminuiu a sensação. Não que eu tenha superado completamente a morte dela, mas eu aprendi a canalizar isso. Mesmo assim, Beth, a quem eu sou um livro aberto, percebe a inquietação no meu rosto.

“Pode não parecer, Liza, mas entendo você.”
     - Ela está usando a voz suave, aquela que usa toda vez que quer consolar alguém. Isso normalmente me irrita, mas não estou com energia para me aborrecer, muito menos discutir.
“Eu também sinto falta dela.”

Permaneço calada enquanto minha mente viaja de Rachael para César.

“Ela morreu achando que tínhamos o mesmo pai.” - Solto.

“Foi melhor assim.”
- Ela diz, repentinamente endurecida.

Meus olhos se fixam nela.
O ódio relampeja em seus olhos verdes e eu me pergunto o que pode ter acontecido para que ela o detestasse de forma tão pessoal; os meus motivos para odiar César Vaccari são mais do que conhecidos, mas quais seriam os dela?

“Não entendo sua fixação em me destruir.”
- Digo.
“Não sou mais uma ameaça, ele sabe disso.”

“Não, não sabe.” - Ela responde sentando-se no sofá, ao meu lado. Então ela suspira, como se estivesse prestes a confessar algo que teve que esconder durante anos, e explica….

“Não é você, Liza, mas é o que tudo isso significa para ele.”

Fico quieta e ela vê a confusão no meu rosto.

“César me enxerga em você.”
- Afirma.
“Esse é o problema.”