Escritos - página anexa destinada a postagem de obras autorais

20 de fev de 2014

F 2ª TEMP: O ENIGMA - Capítulo 31

LIZA
Eu não fui levada até o Thomas, como eu pensei que seria.
Seus soldados me encaminharam para um corredor escuro, repleto de celas. Não demorou muito para que eu estivesse aqui, e não conseguir ver Will desde aquela vez. Uma das celas estão ocupadas por um homem alto e musculoso, porém, machucado. Há uma ferida sangrenta em seu nariz, e pelo modo que está, sei que está quebrado. Ele mantém um olhar indiferente e ácido que joga para todos ali, principalmente para os outros soldados que estão vigiando a cela. Pelo modo como ele olha para os soldados e eles o olham, só me faz pensar uma coisa: ou ele é um Hansson, ou já foi muito próximo deles. Mas então, porque ele está aqui?

"Sinceramente,"
   - Ele começa, assim que eu sou trancafiada em minha cela.
"Eu nunca pensei que viveria para ver Liza Vaccari sendo pega."

"Não sabia que me conhecia."
   - Digo, séria. Ele ri.

"Quem não te conhece?"
   - Eu o encaro fixamente e ele me encara de volta. Sinto arrepios. Seu olhar é gélido e incrivelmente parecido com o de Morgana Hansson.
"Nunca vi uma mulher dar tanto trabalho ao Thomas quanto você."

"Você é um Hansson, não é?"
   - Pergunto irritada.

"Sou."
  - Ele responde.

"Então, porque está aqui?"
 
"Traição."
   - Ele afirma indiferente.

"O que você fez para ser considerado um traidor?"
   - Pergunto.

"Desde quando eu virei o foco dessa conversa?"
   - Ele rebate.

"Meus pecados contra os Hansson todos já sabem, inclusive você."
    - Digo, fazendo aspas em "pecados", ou algo parecido com isso, já que as algemas limitam meus movimentos.
"Agora, quanto a você, não sei nada e não acho que você faça o tipo traidor."

"Estou aqui por ter me envolvido com a sua irmã."
   - Ele diz finalmente, depois de uma longa pausa, desviando o olhar de mim.
"Eu sempre soube que ela estava armando para o Thomas, desde o início, mas me envolvi mesmo assim."

"E se arrepende?"
   - Pergunto.

"Não."
   - Ele responde, voltando a me encarar.
"O fato é que eu nunca fui fiel aos Hansson. Eu só estava ali esperando a possibilidade de escapar, de abandoná-los. E essa oportunidade veio com a Rachael."

Fico calada por uns instantes.
Rachael.
Não faço a mínima ideia de onde ela pode estar agora.

"Você gosta dela?"
    - Pergunto finalmente.

"Você não?"
   - Ele rebate.
"Bem, ela é sua irmã e tudo."

Me calo novamente.
Aconteceu tanta coisa que ainda não tive tempo de pensar sobre a Rachael.
Will diz que ela fez tudo aquilo para nos salvar, que ela está do nosso lado, e eu deveria estar feliz, torcendo para que ela esteja bem, mas...
Nada.
Não consigo ter uma opinião nítida sobre ela.
Apenas fragmentos.


"Eu não sei."
   - Digo, com a voz fraca.

"Ela está do seu lado, você sabe."

"Eu sei, mas..."
   - Digo e me calo, tentando achar as palavras certas.
"Ela fez tanta coisa que eu não sei direito o que pensar dela."

"Bom, você também não é muito boazinha."
   - Ele diz.
"Fiquei sabendo que enfiou um facão no olho de um dos caras, então, no final das contas você não tem motivos para odiá-la."

"Eu não a odeio!"
   - Solto.
"Eu só..."

"Liza, eu pensei que depois de tantos anos convivendo com a Rachael, você conhecesse sua irmã."
   - Ele diz.
"Acha mesmo que ela seria capaz de fazer algum mal contra você? Você é a única família dela, ela jamais te entregaria para o Thomas. Ela pode não expressar muito, aliás, ela quase nunca expressa seus sentimentos a ninguém, mas acredite, a Rachael se importa com você."

"Ela escondeu que tinha um filho do Will."
  - Sussurro.
"Se realmente se importasse, não teria se casado com ele."

"Sem amor, numa tentativa desesperada de esquecer que tinha perdido a única pessoa que lhe restava."

"Mas casou."
   - Retruco, rancorosa.

"Você perdoou o Will, certo?"
   - Ele fala. Eu não respondo. Ele completa:
"Porque não perdoar a sua irmã também?"

"Você não respondeu se gosta da Rachael."
   - Digo.

"Ao que tudo indica, eu amo a Rachael."
   - Ele diz, aceitando minha clara mudança de assunto.

"E é recíproco?"
   - Pergunto. Ele demora um pouco para responder:

"Eu acho que sim."

RACHAEL
Eu paro em frente ao edifício de Beth Vaccari.
Não era algo que eu gostaria de fazer, mas o plano com o veneno, apesar de bem executado, falhou. Não tenho certeza de como serei recebida aqui, mas a essa altura do campeonato, posso ser útil para Beth.
   Há vários capangas dela na entrada do edifício, como eu tinha imaginado. Saio do carro. Eles me barram.

"Quem é você?!"
   - Um deles pergunta rudemente.

"Rachael Vaccari, irmã de Liza Vaccari."
  - Digo.
"Tenho certeza que Beth vai querer falar comigo."

Eles se entreolham e um deles sobem. Eu aguardo na entrada, junto com os outros , todos armados. Demora certa de 5 minutos até que ele volte.

"Ela vai falar com você."
   - Ele diz, fazendo sinal para que eu entre. Eu entro, escoltada por dois deles que mantém suas pistolas apontadas para mim. Nós subimos várias escadas escuras até chegar numa sala iluminada e confortável. Eu paro perto da entrada da sala até que ela faça sinal para que eu me aproxime.

"Surpresa em me ver?"
    - Pergunto, assim que me sento de frente para ela.

"Nem um pouco."
   - Beth responde.
"Para falar a verdade, eu estava esperando que você se desse conta de que seu planinho não deu certo e viesse me procurar."

"Eles pegaram a Liza."
 
"Eu sei."
   - Ela diz. Então se inclina sobre a mesa e solta:
"Sabe porque seu plano não deu certo? Porque você deixou escapar um detalhe. A secretária costumava beber o café do Thomas escondido; era uma idiota, achava que estava fazendo isso sem ninguém saber, só que o Thomas sabia, só permitiu que ela fizesse isso por causa desse tipo de coisa. Se o café alguma vez estivesse envenenado, ela morreria primeiro. E foi isso o que aconteceu."

Eu permaneço em silêncio.
Beth volta a se encostar na sua cadeira e diz:

"E agora, qual é o próximo plano mirabolante da senhorita?"

"Eles vão pegar o meu filho e já pegaram a Liza."
   - Digo.
"Se é tão simples como você insinua, porque não acabou com isso de uma vez?!"

"Não é assim que as coisas funcionam!"
   - Ela solta, seu tom de voz mais alto.
"Eu avisei que ela não podia se afastar que quisesse que eu a protegesse, mas na primeira oportunidade, ela correu para a casa do namoradinho dela!"

"Sim, mas e agora? Você vai deixar que o Thomas mate ela ou vai fazer alguma coisa?"
   - Pergunto.
Ela me encara fixamente.