Escritos - página anexa destinada a postagem de obras autorais

20 de fev de 2014

F 2ª TEMP: O ENIGMA - Capítulo 30

LIZA
Quarto dia.
Will foi jogar o lixo fora, enquanto eu estou limpando a cômoda em frente a janela. Na verdade, eu finjo que estou limpando, porque minha cabeça está cheia demais para fazer qualquer coisa útil. Eu não sei qual será o próximo passo e não quero ficar parada aqui, enquanto a Rachael age sozinha contra os Hansson. Não gosto da ideia de ficar escondida até que tudo se resolva, mas não há nada que eu possa fazer. E tem a Beth. Talvez a Rachael não esteja tão sozinha assim.
   O motivo de estar nesta cômoda é simplesmente a janela e a visão que ela me dá do trajeto de Will. Estou observando há um bom tempo, e já penso em sair de perto porque não tem como alguém nos achar aqui, até que algo chama a minha atenção.
Um carro preto.
Eu observo ele se aproximar lentamente de Will.
Eles estão lado a lado. Aperto com força o lenço que está na minha mão direita.
Tudo acontece tão rápido agora.
Will faz um movimento quase imperceptível com a mão, e de repente, o silêncio deu lugar ao som do tiro que ele dispara contra o carro.
A Janela se despedaça e o carro para.
Dois homens saem de dentro do banco de trás com escopetas na mão.
Will ainda tem a arma em punho e nenhum deles atira.
Eu tenho um comando, uma ordem de Will sobre como proceder numa situação como essa.
Fuja.

Eu corro até a cozinha e pego um facão de dentro da gaveta. Saio pelos fundos da casa e observo a rua à minha frente antes de correr. Meus olhos se fixam num galpão que serve para armazenamento de explosivos; uma vez lá dentro, será mais difícil ser capturada. Meus dedos apertam o cabo da faca e corro o mais rápido que consigo.
   Minhas pernas ardem com o esforço e eu solto uma praga pelo galpão estar tão longe do meu alcance. Olho para trás; eles me acharam. Há dois deles atrás de mim, gritando ameaças, ordenando que eu pare. Me pergunto o que os impede de atirar, já que ainda estou há certa distância do galpão. Talvez Thomas me queira inteira, sem nenhum arranhão. Meus pensamentos se dissipam e eu freio bruscamente quando outros dois aparecem na minha frente, quase colidindo comigo.


"Tentando entrar no galpão, não é?"
   - Um deles diz. Olho para todos os lados. Estou cercada.
"Realmente, Liza, muito engenhoso."

Eu o encaro.
Roupas pretas. Botas de couro, colete a prova de balas, luvas e uma submetralhadora na mão. Penso que essas armas de grande porte são para intimidar, já que de uma coisa eu sei: Thomas me quer viva. Foi uma ordem direta.
Ele me encara atentamente, quase sem piscar. Loiro. Cabelos curtos. Rosto assimétrico. Eu permaneço imóvel.

"A gente pode fazer as coisas ficarem mais fáceis se você soltar essa faca."
   - Ele continua tentando me persuadir.
"Em uma moça tão bonita como você, não combina um comportamento tão selvagem e precipitado."

Não faço nenhum movimento, nada que indique que estou rendida.

"Aquele seu namorado está conosco, nós o pegamos, aliás, como é mesmo o nome dele?"
   - Eu rosno. Ele sorri como resposta.
"A forma como vamos tratá-lo daqui para frente vai depender da forma como você nos tratar agora, então, pelo bem seu e dele, solte essa faca, sim?"

Mudo de estratégia.
Meus olhos piscam e meu rosto se suaviza gradativamente. Folgo o aperto na faca e abaixo a guarda. Ele sorri. Deixe ele achar que você se rendeu.
Ele dá um passo.
Continuo imóvel, sem olhá-lo nos olhos.
Outro passo.
Minha mente se enche de imagens de seu rosto claro e limpo.
Outro passo.
Ele só precisa dar mais um, para estar perto o suficiente.
Outro passo.
Ele estica a mão para agarrar meu pulso, mas eu o surpreendo com um ataque.
Ele grita.
Posso observar com nitidez a faca cravada em seu olho esquerdo.
Ele solta a arma e tenta conter o jorro de sangue que sai de seu olho.
Eu sou pega.
Braços me rodeiam, mãos agarram os meus pulsos, mas meu sorriso está lá, intacto, apenas por ver o sangue manchando suas mãos, face, roupas e a faca. Ele grita de dor e me lança xingamentos que mais parecem grunhidos desconexos. Sinto algemas. Eles me puxam com brutalidade, e eu dou as costas para o homem ferido, seguindo obedientemente os outros que me escoltam até o carro. Um deles me encara com ódio e eu sei que eu seria espancada se não fosse pela ordem de Thomas. Estou satisfeita, entretanto. Vão me matar, mas eu acabei de deixar um deles cego de um olho.
Há outro carro ao lado do que eu vou ser levada. Olho para a janela do banco traseiro. Há alguém com um capuz preto na cabeça. Will.
Meu sorriso se desvanece.
Ele vai sofrer pelo que eu acabei de fazer.
Eu continuo olhando para lá, e esta é a minha última visão, antes de colocarem um capuz em minha cabeça e me empurrarem para dentro do carro.

RACHAEL
Estou nos fundos da casa de Allie Richmond, a irmã mais nova de Will. Alex veio morar aqui depois do que aconteceu com a casa de Ellen. Eu venho aqui casualmente, só para saber se está tudo bem com o meu filho, mas tento de todas as formas, não ser vista por aqui. Se Thomas descobre que estive aqui, o primeiro alvo vai ser Allie e, obviamente, meu filho. Apesar das minhas desavenças com Will, nunca quis que nada de ruim acontecesse com sua família e não quero que sua irmã seja a próxima vítima.
   Observo o carteiro se aproximar da casa com uma pilha de envelopes de cores diferentes, em sua maioria, contas. Ele se aproxima da casa e arruma os envelopes em sua mão, até que um deles me chama atenção. É um envelope preto, selado, aparentemente sem nenhuma informação sobre o remetente. Espero o carteiro sair antes de me aproximar da pilha. Confiro o movimento, me certificando de que não haja ninguém por perto e puxo a carta da pilha presa com um elástico.
Corro para dentro do carro, os vidros escuros e fechados.
Confiro o envelope novamente.
Preto.
A cor dos Hansson.
Eu o abro e tiro a carta de dentro dele, minhas mãos tremendo de ansiedade.

Rachael Vaccari foi condenada segundo o nosso tribunal. 
Nossa vingança cairá contra sua família. 
Liza Vaccari já caiu. 
E o próximo será Alex Richmond. 

O IMPÉRIO CONTINUA! -||-
O império continua.
Isso só pode significar uma coisa.
Thomas ainda está vivo.