Escritos - página anexa destinada a postagem de obras autorais

9 de fev de 2014

F 2ª TEMP: O ENIGMA - Capítulo 22

LIZA
A primeira coisa que vejo quando acordo é Will. Ele dorme tranquilamente, com um leve sorriso no rosto. Eu lhe dou um beijo suave e ele corresponde, passando seus braços pela minha cintura. Quando eu estava no Brasil, não fazia ideia do quanto sentia falta de estar aqui, em paz, com Will.

"Você já estava acordado!"
   - Digo, me fazendo de ofendida. Ele sorri abertamente e diz:

"Não. Eu estava dormindo e acordei com você me assediando."
    - Eu solto uma gargalhada e ele ri junto.

E é exatamente neste momento que ouço um ruído esquisito lá fora.
Parece alguém tossindo.
Encaro Will com um olhar de interrogação e pergunto:

"Tem mais alguém aqui?"

"Não que eu saiba."
   - Ele diz, tão confuso quanto eu. Então a confusão dá lugar a preocupação. Levanto da cama, visto um roupão e Will faz o mesmo.

Will caminha até a cozinha, de onde o som veio, com uma arma em punho.
Eu vou atrás dele, e a casa parece tão silenciosa quanto antes.
Então eu viro o rosto para a porta de vidro à direita e ponho a mão na boca, contendo um grito. Will vira-se para mim sobressaltado e seus olhos voam para a cena no  lado de fora da casa.
Há uma mulher caminhando no gramado dos fundos, nua, com hematomas espalhados pelo corpo. Ela caminha com dificuldade, e há sangue escorrendo pelo queixo. Ela tosse novamente e mais sangue espirra de sua boca. O pior de tudo é que Will não sabe quem é essa mulher, mas eu sei.
Alicia Hinnendel.
Ela me encara fixamente, seus olhos clamando por socorro.
Então ela tropeça e desaba no chão, morta.

   A lembrança da minha conversa com Alicia povoa meus pensamentos. Ela me contou sobre a morte de Sandra, me disse que o meu pai a matou, e agora ela está morta, da mesma forma que a amiga morreu. E justo na casa de Will!
A única conclusão que tenho é de que isso foi um sinal.
Eles sabem que eu estou aqui.
E eles vão me caçar, como sempre fazem.



"Liza,"
   - Will diz, me despertando dos meus pensamentos. Ele me olha, tenso.
"A gente tem que sair daqui, agora."

RACHAEL 
Eu aguardo o dia amanhecer pacientemente. James conseguiu dormir, um sono agitado, mas dormiu. Ele estava certo quando disse que eu tinha um plano, mas não vou contar a ele qual. Eu sei que ele está chateado com a Sharon e me surpreende o fato de que ele se opôs a sua família para me defender, mas eu não posso achar que ele simplesmente vai aceitar fazer algum mal a ela. Eu não posso exigir que ele faça isso, então decido que ele só saberá quando tudo já tiver sido feito.
   Eu calculo os meus próximos passos enquanto o dia não amanhece. Penso nas minhas palavras, no quanto eu preciso ser persuasiva, e em como vou proceder se der errado. Marquei um encontro às 9 da manhã com ninguém menos que Edward Black. Ele aceitou se encontrar comigo, o que já é um bom sinal. Além das minhas palavras persuasivas, há uma mochila entupida de dinheiro que vai ajudar a convencê-lo. Agora é pessoal. Sharon Hansson vai sair de uma vez por todas do meu caminho.
     Eu paro o carro em frente a cafeteria, o local onde marquei com Edward. Olho para o relógio. Cheguei 10 minutos antes do combinado. Escolho uma mesa isolada, no canto esquerdo do recinto, aguardando. Não demora muito para que um homem de cabelos e olhos escuros passe pela porta. Seus olhos vasculham o local, me procurando. Então Edward olha para mim e se dirige até a minha mesa. É incrível como ele se parece com Lauren.

"Olá, Edward."
   - Digo, sorridente, assim que ele se senta de frente para mim. Ele não sorri de volta; ao invés disso, fala:

"O que é que você quer comigo?"

 "Um pequeno favorzinho."
     - Digo. Ele não esboça nenhuma reação. Continua lá, me encarando.
"Eu fiquei sabendo que você vai fazer parte da escolta de Sharon Hansson até o hotel onde ela pegará a mala prateada dos Whitney."

"Parece que você anda muito bem informada."
   - Ele diz.
"Mas, o que isso tem a ver com esse 'pequeno favorzinho'?"

Eu me debruço sobre a mesa e sussurro:

"Eu quero dar uma liçãozinha na Sharon, sabe?"

"Eu sempre soube que você não prestava."
   - Ele diz, sorrindo com o canto da boca.
"Era só uma questão de tempo para você começar a traí-los."

"Você também não é muito fiel aos Hansson, se fosse, não estaria aqui."
   - Digo.

"Que se danem os Hansson. Eu só estou aqui pela grana."
    - Ele diz, dando de ombros.

"Então, se é grana que você quer, com certeza vai gostar da minha proposta."
   - Solto.

"O que eu tenho que fazer?"
   - Ele pergunta.

"Simples. Sharon vai pegar a maleta com os 30 milhões, na mão dos Whitney. Você só precisa pegar a maleta, me entregar, e colocar uma maleta de dinheiro falso no lugar."
   - Respondo.

"E onde vou achar o dinheiro falso?"

"Eu vou cuidar disso para você."
   - Digo.
"Você vai pegar a grana e ir até o campo que fica atrás dessa cafeteria. Você vai encontrar uma BMW preta estacionada. Eu estarei dentro do carro, e nós fazemos a troca lá."

"Ok, mas o que eu ganho com isso?"
   - Edward pergunta, se encostando na cadeira. Eu pego a mochila e passo para ele por baixo da mesa. Ele abre, confere o dinheiro e eu digo:

"Será que isso é o suficiente para você?"

Ele sorri.

"É mais do que suficiente."