Escritos - página anexa destinada a postagem de obras autorais

30 de jan de 2014

F 2ª TEMP: O ENIGMA - Capítulo 18

RACHAEL
Eu acordo com o barulho remoto de uma torneira aberta. James não está mais na cama, então eu me sento e observo ele fazendo a barba em frente ao espelho. Eu deveria estar arrependida por ter ido para a cama com um Hansson, mas não estou. Eu continuo a observar James, ainda sonolenta, pensando sobre o quanto eu gostaria que ele voltasse aqui e continuasse o que estávamos fazendo na noite passada.

"Bom dia."
   - Ele diz assim que sai do banheiro. Então ele sobe em cima da cama e me dá um beijo suave. Era para ser tão rápido quanto um selinho, mas dura mais. Eu puxo ele para perto de mim, mas, então James se afasta.

"Tenho que sair."
   - Ele diz. Então eu percebo que ele já está com uma calça jeans e pergunto, cética:

"Onde você vai?"

"Resolver umas coisas com o Nick."
    - James diz distraído, até ver que eu ainda olho para ele com ceticismo.
"Se é com o Thomas que está preocupada, se depender de mim, ele não vai saber o que aconteceu ontem. Pelo menos, não se você não quiser."

"Sério?"
   - Pergunto com a sobrancelha arqueada. Ele faz uma cara de tédio e diz:

"Sim, é sério."
   - Então ele veste a camisa, me dá um selinho e diz, antes de sair:
"Deveria parar de achar que saio correndo contar para o Thomas tudo o que você faz."



   Eu me deito novamente, olhando para o teto por um bom tempo. Então eu me viro para o lado e dou de cara com o relógio. São 11hrs da manhã, em ponto. O dia está nublado e frio, mas aqui dentro está quentinho. 11hrs. Eu não tenho absolutamente nada para fazer. Então, eu olho pela terceira vez no relógio e somente uma coisa se passa pela minha cabeça: meu filho.
   Pulo da cama, disposta a me arrumar o mais rápido possível. James não está em casa, e pelo modo como disse, vai demorar para voltar. Daqui a 30 minutos Alex sai da escola, e quem irá buscá-lo, provavelmente é Will ou Ellen. O que importa é que desde que cheguei aqui, nunca mais tive notícias dele, e esse é um bom momento para vê-lo.
    O dia está realmente frio, como eu presumi. Eu estou com um sobretudo preto cobrindo a blusa branca de mangas, calça, botas de salto, o cabelo amarrado em um coque e luvas. Guio o carro pelas ruas de Londres e paro um quarteirão de distância do colégio de Alex. O resto do caminho eu faço andando, em alerta, receosa de que alguém esteja me seguindo. Então eu paro ao ver Ellen, do outro lado da rua, esperando Alex sorridente. Eu me sinto mal ao ver isso, porque era eu quem deveria estar buscando meu filho na escola.

"Rachael?"
   - Ouço uma voz conhecida e sinto uma mão no meu braço esquerdo. Eu me viro e vejo quem eu não queria ver.

"Oi, Will."
   - Digo. Ele se aproxima e sibila:

"O que você está fazendo aqui?"

"Será que a gente poderia conversar em outro lugar?"
   - Sugiro, antes que a gente comece a brigar aqui. Ele hesita, olha para os lados e depois diz:

"Por aqui."

Nós caminhamos até um corredor estreito, entre duas lojas. Will olha para os lados novamente antes de falar, visivelmente irritado:

"Agora você já pode falar que raios te trouxeram aqui."

"Um bom dia para você também, Will."
   - Digo, com escárnio. Seu maxilar trava e eu falo:
"Enfim, eu vim para ver o meu filho, algum problema?"

"Algum problema?! Como você diz isso com toda a tranquilidade do mundo?! Você abandonou seu filho, deixou ele na casa da minha mãe e depois sumiu, e agora aparece com essa cara lavada querendo vê-lo?!"
   - Ele estoura.

"Eu não abandonei o meu filho."
   - Afirmo.
"Eu me afastei porque era perigoso que ele continuasse comigo."

"Ou talvez por que ele iria atrapalhar o seu convívio com os Hansson, não é?"
    - Will acrescenta em tom ácido e eu percebo que ele já sabe. E me acha uma megera.

"Olha, eu não tenho que dar satisfações a você, ok?"
    - Digo.
"Eu vou ver o Alex, querendo você ou não."

Então, eu já estou quase indo embora quando ele solta:

"Eu sempre achei que você era um pouco fria demais com a Liza, mas eu nunca pensei que fosse tão mal-caráter."
  - Eu o encaro, a raiva silenciosa tomando conta de mim.
"A que ponto você chegou, Rachael?"

"Você é um completo idiota."
   - Solto, minha voz baixa, porém, carregada de fúria.
"Não percebe que isso é muito mais do que as birras da Liza, não percebe que isso é muito maior do que você!"

"Birras da Liza? Você a traiu! Você se aliou aos assassinos dos seus pais!"
 
"Fala baixo!"
   - Reclamo, olhando para os lados, receosa de que alguém tenha nos ouvido.
"Ache o que quiser, eu não vim aqui pra saber sua opinião do que eu faço ou deixo de fazer."

"Eu não posso permitir que você veja o Alex."
   - Ele diz, eu sorrio com escárnio.

"Amanhã, às 8hrs, no galpão atrás da Starbucks."
   - Digo e Will tenta objetar, mas eu o corto.
"Will, não adianta me impedir. Eu vou ver o meu filho, custe o que custar."

LIZA
Eu estou deitada no sofá de um apartamento afastado do centro da cidade. Beth disse que não gosta do centro e que aqui é muito mais calmo, então eu vou ficar até o momento que ela decidir que devemos ir. Ultimamente, Beth está decidindo tudo por aqui. Eu não objetei, nem estou com ânimo para objetar agora, já que a única coisa que eu quero é um tempo para pensar em tudo o que aconteceu.

"Eu tenho uma notícia boa e uma ruim, qual das duas você quer primeiro?"
    - Beth me diz assim que chega em casa.

"A boa."
   - Digo, dando de ombros.

"Lembra quando eu pedi que a Nora encontrasse o paradeiro da Rachael?"
   - Beth pergunta e eu balanço a cabeça positivamente. Assim que desembarcamos no Brasil ficamos sabendo que a Rachael sumiu de casa, o consultório foi deixado nas mãos da vice presidente e ela deixou de ver o filho. Eu não dei atenção, no princípio, nem Beth, mas agora ela retorna com o assunto. A única coisa boa nisso tudo era que eu não precisava ficar lembrando da Rachael, mas então, a minha tia me trás isso de volta.
"Ela encontrou a sua irmã."

"E onde está a notícia boa no meio disso?"
    - Pergunto, com indiferença.

"Rachael ainda está em Londres, e está bem, e não abandonou a clínica completamente."

"Ok, mas e qual é a notícia ruim?"
    - Pergunto e então, Beth me dá uma notícia relevante.

"Nora descobriu que a Rachael está trabalhando para os Hansson."

"O quê?!"
   - Levanto, sobressaltada.

"Isso mesmo. Nora teve um caso com um Hansson, com a nossa autorização, é claro. Conversa vai, conversa vem, e ele acabou liberando a informação. Rachael está trabalhando para os Hansson faz quase 1 mês."
    - Beth diz, e eu a encaro, incrédula. Como ela se uniria aos Hansson depois de tudo o que aconteceu? Eles a sequestraram, torturaram, além de ter matado nossos pais.

"Mas, Beth, por que ela faria isso?"
   - Pergunto, tentando entender tal notícia.

"Eu não sei, mas há algo que a Rachael quer. Eu não sei qual, mas sei que ela tem um plano. A sua irmã é esperta, não se arriscaria a se aliar com a mafia inimiga se não soubesse o que queria."

"Ela tem um filho..."
   - Digo.
"Talvez esteja tentando protegê-lo."

"Faz sentido."
   - Beth diz, andando de um lado para o outro, pensativa.
"Mas ainda acho que é muito pouco para uma atitude tão radical. Rachael quer alguma coisa, ela está armando alguma coisa, e eu vou descobrir o que é."